domingo, 13 de dezembro de 2009

Almost tearless (500) Days of Summer

Então, não satisfeita com minha temporada solitária, vou ao cinema sozinha e – porque não? – decido assistir um daqueles filmes “de mulherzinha”. Um daqueles que eu NUNCA teria companhia para assistir, anyway.

De início, nada que já não fosse esperado de um filme com a Zooey Deschanel, no seu papel costumeiro de antagonismos. As roupas que parecem ter saído de um desfile dos meus sonhos e a beleza quase imoral em seu olhar azul que parece dizer que não se importa com nada, nem mesmo com o uso de corretivo cosmético. Não, ela está acima disso, bonita demais pra se entupir de maquiagem.

O filme revela uma belíssima história sobre o amor. Cheio de dor, de paixão, de como esses sentimentos parecem ser o melhor caminho para nosso desenvolvimento pessoal. Tudo isso embalado por uma trilha sonora maravilhosa. A disposição do roteiro não só ficou extremamente original como parece ser o melhor caminho para produzir na pessoa que o assiste a emoção gerada por ele. Fiquei emocionada! Perdi nele algumas das muitas lágrimas que tenho perdidas em mim. Lágrimas que luto pra conter num momento e depois não as encontro, em outro. Elas vieram, bemvindas e agradáveis e no momento certo.

Às vezes o amor dói tanto, que finjo que ele não existe. Nos meus momentos de loucura, eu o desejo. Nos momentos de desespero, eu imagino que posso voltar no tempo e me expôr a outras contingências, só pra não estar no lugar que estou. Mas nos meus momentos de equilíbrio, quando sou plena e feliz, eu amo. E apesar de tudo o que digo só para ser antagônica, é nos momentos que entro em contato sincero com meus sentimentos e os expresso sem máscaras é que sou honesta. É que sou quem quero ser. É que não me importo com o que os outros vão pensar de mim (maldita herança ontogenética).

E é nesses horas que temo o mal que posso estar fazendo a alguém, mas o temo honestamente e cheia de amor.

Pois, amo! Às vezes sofro, às vezes faço alguém sofrer, às vezes fico dengosa, às vezes me sinto leve e feliz, às vezes pareço não me importar com nada, às vezes não uso maquiagem. Amo.

Assistam o filme.

sábado, 21 de novembro de 2009

O Fim da Viagem Comigo


Impressionante como o tempo passa devagar quando não temos pressa. Mas, embora cada dia parecesse semanas na minha viagem solitária, rápido demais ela chegou ao fim e voltei a ter pressa e horários e discutir opiniões antes de decidir ir a qualquer lugar. Também não pude mais fazer o que quisesse e não fazer o que não quisesse. A vida real chamava insistente aos ouvidos, embora eu fingisse dar-lhe as boas vindas com sauda

de como se estivesse ansiosa pelo seu retorno, mas amargurava-me intimamente como se devesse me despedir de um amigo companheiro. Na verdade, como se me despedisse de mim e do tempo ótimo que passei comigo.

Olhei triste para meu quarto de hotel, meu abrigo aconchegante para o período de reclusão, tentando reter cada detalhe dele na memória, mas sabe

ndo já que as lembranças se esvairiam de mim como água entre os dedos, como sempre. Lenta e melancolicamente fechei a porta com a mesma s

ensação de quando preciso desligar o computador, deixando uma conversa agradável no gtalk pelas metades, ou quando preciso desligar o telefone, numa de minhas ligações interurbanas, ou quando não poucas vezes assisti fecharem com barro uma sepultura, fechei a porta, desejando fechar-me nela ainda, mas a mão veio automátic

a ao trinco, girando a chave.

Volto pra casa, pra vida real, como se minha realidade tivesse morrido. E, como todo processo de luto, demoro não mais que uma semana pra que minha vida voltasse ao normal, mas é claro, sem nunca voltar a ser a mesma.


Na foto, um trecho do caminho de volta.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Viagem Comigo IV

Depois do dia em que cheguei ao "meu" exílio e à "minha" pousadinha, acabei gastando muito pouco tempo descrevendo a viagem, estava mais curtindo mesmo. Assim, coloco diversas fotos do que aconteceu durante a semana. Claro que elas não são capazes de reproduzir o cheiro molhado da noite na cidade deserta, a voz das pessoas que conheci, minha surpresa encontrando cogumelos interessantes na beira do caminho para um clube, a complexidade de conversas despretensiosas, minha frustração em não ter nem a habilidade nem o equipamento necessários para fotografar as cenas lindas que eu via todos os dias no meu caminho, a tranquilidade de um homem caminhando no centro da cidade de roupão atoalhado amarelo às exatas meia-noite e 44 minutos de domingo, as cores exatas de flores e de nuvens brilhando com o sol do fim de tarde, e nunca serão capazes de transmitir a profundidade da sensação de liberdade que eu experimentava. Estão algumas dessas imagens aí, espero que apreciem.









Nesta, a cidade deserta por volta das 21hs. Isso aí é o centro, nem carro parado tem.

Nesta, a "minha praça". Onde conheci gente, vi coisas improváveis de acontecer em outros lugares, e vi palavras se perderem sobre meus olhos.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Viagem Comigo III


Já eram mais de 20hs quando terminei de acomodar minhas coisas na suíte. Parei em frente do mesmo espelho onde me vi sorrindo quando cheguei, satisfeita comigo, sem lembrar se já tinha feito isso antes. E vi completamente minha imagem nua, ainda sorridente, como não via há anos. Era um espelho lindo com uma moldura em pátina branca e parecia bem antigo também, embora não tivesse ainda as manchas que costumam surgir nos espelhos antigos. Me olhei mais um pouco e, da mesma forma que um mundo d

e beleza se descortinou pra mim na paisagem comum do cerrado verde e vermelho da época de chuva, vi-me e quase não me reconheci com meu penteado modernamente retrô e com meus quadris enormes. De fato, não foram apenas os números na balança. Não havia reparado ainda que tinha engordado tanto assim. Meu rosto estava agora tão redondo que meus olhos que sempre foram grandes quase sumiam nele. O formato de minhas nádegas mudara também, embora eu sempre tivesse me orgulhado delas, na verdade eu quase não as via, apenas presumia sua beleza. No todo, apesar da estranheza, ainda não era desagradável de olhar. Os seios agora redondos pelos quilos a mais continuavam muito pequenos e aparentando ainda menores no continuum do meu abdome redondo. Aper

tei-os com desgosto e mexi o meu piercing, apenas por hábito. Então reparei que há tempos não cuidava dele. Empurrei de um lado para o outro e percebi, com certa surpresa, que estava finalmente cicatrizado. Mais uma vez orgulhosa de mim, lembrei-me da promessa de que faria outro assim que esse cicatrizasse (e é bem provável que eu o faça aqui mesmo nessa cidadezinha, tão logo eu decida ir embora).

Queria que meu orientador me visse agora, escrevendo nua uma história, tentando seguir seus valiosos conselhos. Caminhei nua até a varanda e fiquei admirando de novo a praça verde, as piscinas, a roseira seminua, enquanto pensava no velho mestre, na minha mãe, nos meus amores e, mais que tudo, em mim. Demorei-me um bocado naquele vento frio antes de lembrar que estava nua e que a varanda ficava no prime

iro andar, plenamente visível para as outras varandas em volta e para a rua. Sorri, um pouco desafiando, um pouco desejando que algum passante desavisado me flagrasse e me imaginei sorrindo ali sozinha, pensando absorta se eu me importaria de ser vista...

Fui vetada de colocar uma foto nua, mas essa foto, tirada dias depois, ilustra o que eu estava dizendo. Achei essa foto divertida. Não tinha como ter muitas opções, não tirei muitas fotos minhas, uma vez que estava sozinha e não tenho o perfil de pré-adolescentes no orkut.

Viagem Comigo II


Então, cheguei, muito antes do esperado, à pousada absolutamente encantadora onde iria me hospedar.

Depois de trocar meia dúzia de palavras com o japonês da recepção e não entender nem metade do que foi dito, recebi a chave do quarto 09 e o japonês me despediu bom um boa noite sorridente, indicando de forma semi-compreensível o caminho e me deixando só e perdida e tive que subir 2 lances de escada arrastando minha mala absurdamente pesada. Provavelmente se houvesse mais um lance de escadas eu teria me arrependido de ter trazido comigo o computador, o DVD e um trilhão de textos para serem lidos em minha reclusão pró-dissertação. Mas com os dois lances me arrependi só dos textos...

Mas cheguei no quarto agradavelmente perfumado e me encantei com a infinitude de possibilidades que se abririam para mim, em minha solidão. Acertei cada chave na primeira tentativa, como se estivesse retornando para casa e já soubesse as chaves certas.

Despejei a bolsa e a pasta sobre uma mesinha de estudos a um canto, a mala pesada já esquecida no corredor e voltei para as chaves na maçaneta da porta e destranquei os cadeados de uma porta de vidro que se abria para uma varanda.

Respirei fundo o ar frio da chuva que devia ter caído há uma hora ou menos. No jardim à minha frente, uma roseira magricela brotara com uma única rosa vermelho magenta perfeita. Adiante das piscinas e da rua, uma praça toda verde entrecortada de caminhos e bancos de cimento me fizeram imaginar um passeio desses que as palavras dançam loucas sobre os olhos e tive, de novo, a sensação de que voltava pra casa.

Depois de aliviar-me da roupa apertada, lancei-me na mesinha, já ocupada com meus pertences. Organizei o notebook e o suporte de leitura e coloquei no canto o pequeno cinzeiro quadrado, única coisa sobre a mesa quando eu cheguei. De repente, me vi desejando um charuto e um copo de whískey e talvez um pouco de talento, pra me sentir Drummond, no espaço que criei.

Sem perder mais tempo, ocupei-me da mesa, a caneta de novo pronta e ávida para não perder nenhum segundo da pintura em movimento que as palavras são capazes de pintar.

E em seguida, a sensação já conhecida de insana liberdade, o impulso de sair e explorar toda a cidade como se tivesse acabado de compra-la e fosse toda minha. Porque assim são as insanas pessoas livres: elas se possuem e tudo passa a pertencê-las.


Na foto, a "minha" roseira em frente à "minha" varanda.

Viagem Comigo I


As fotos que tirei enquanto escrevia serão acrescentadas aos textos depois, quando eu voltar pra Brasília. A mulher da lanhouse não me deixa baixar elas aqui...

A Last Glance

Deixei a bagagem no ônibus e voltei correndo para lhe dar um últim

o beijo antes de partir. E quando fiz a curva não havia nada senão um vazio onde antes você estava. Voltei, tentando manter o bom humor, mesmo assim tive 2 ou três lágrimas para conter quando cheguei na minha poltrona. O ônibus partiu e fiquei em silêncio, deixando para trás as figuras da paisagem urbana de Bsb.

Um senhor barrigudo com uma trança até a metade das costas, andando de bicicleta; uma crente de blusinha azul e coque, abraçada com sua bíblia; um emo na parada de ônibus, com um alargador enorme na orelha esquerda; dois homens de macacão azul puxando com as enxadas areia para ser peneirada, numa construção; E, nos longos espaços verdes entre os prédios, um homem grisalho com os cabelos e barba desgrenhados, o peito moreno nu, brigando com uma árvore grossa na altura da 115 Sul. E, do lado de dentro do ônibus, eu. De fones de ouvido e chapéu, viajando sozinha e escrevendo com o balanço trêmulo do ônibus em movimento. Ouvindo música alternativa e escrevendo como se precisasse apenas do silêncio da solidão para que o bloqueio de meses se desfizesse. E tudo a minha volta fosse uma poesia pronta e só eu tivesse e só isso tivesse – a missão de destr

uí-la em palavras, porque nem todo mundo sabe ler antes de serem escritas. A poesia vem aos meus olhos pra o papel, como a lã do novelo nas agulhas de tricô, enquanto tento retratar toda essa beleza, mas sem saber desenhar.

Empreendo de novo essa viagem curta e solitária.

Fazia tempo que eu reclamava para mim que eu não me dava mais atenção, não gastava tempo comigo. Resolvi fazer essa viagem só eu e eu mesma, para me reaproximar de mim. Vou só, com todas essas minhas lágrimas contidas: vou gastar tempo comigo, pra não me perder.


Na primeira foto, a vista de Brasília no momento da partida. Na segunda, as paisagens da estrada, no exuberante verde brilhante e vermelho na terra na época de chuva aqui do cerrado.

domingo, 1 de novembro de 2009

Fotógrafa de Nuvens (II)


O fim de Outubro, enfim...

30/10/2009

E lá se foi mais um Outubro. Rarefeito, esvaziado, ele se foi.

Às vezes acho que estou tão ocupada que não tenho tido tempo para introspecções.

Ás vezes penso que ando tão introspectiva que os pensamentos não se tornam concretos e, por isso, mais voláteis do que de costume e nada fica, senão um espaço vazio. Um tempo que não vi com que gastei.

Apatia, ou coisas demais pra gastar tempo percebendo meus respondentes.

Penso bem racionalmente, e escolho sempre o caminho mais difícil, mesmo que o mais fácil pareça ser também o mais “correto”, se é que tal coisa existe.

Só me sinto satisfeita com tudo o que realizo, mas vazia, por achar que minhas realizações são friáveis, transitórias ou simplesmente por não estar realizando nada por mim mesma. Por trabalhar tanto e continuar sem ter cortinas na minha casa, sem poder fazer meu curso de cênicas, escrever a dissertação.
Sou uma fotógrafa de nuvens.
E esse outubro não foi mais que um longo, longo dia nublado.